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A Agence Française de Développement (AFD) apoia cada vez mais projetos que utilizam o esporte como vetor de desenvolvimento. Maxime Terrieux, economista e referente de esporte no Departamento de Pesquisa da AFD, apresenta os benefícios e as questões ainda pendentes.
Maxime Terrieux AFD

 
Que benefícios o esporte pode proporcionar para o desenvolvimento dos países?

Todo mundo pensa intuitivamente que o  esporte tem efeitos positivos na saúde, na coesão social ou na economia. Sim, mas na realidade quais são estes benefícios? Num estudo recente, publicado em novembro, examinamos mais de noventa publicações sobre a questão e identificamos sete canais pelos quais o esporte pode ter um impacto sobre o desenvolvimento: a economia, a educação, a saúde, a inclusão, as migrações, o meio ambiente e a coesão social.

A conclusão é que o esporte apresenta realmente um certo número de impactos positivos nos países em desenvolvimento. Em termos econômicos, por exemplo, a organização de uma Copa do mundo de futebol ou de Jogos Olímpicos proporciona geralmente um crescimento econômico, oportunidades empresariais e novos empregos no país anfitrião. No que diz respeito à coesão social, um estudo sobre o futebol mostra que se trata de um meio eficaz para diminuir as rivalidades étnicas em África.

Outros efeitos positivos: o esporte favorece a emancipação das mulheres, permite sensibilizar os jovens para os desafios de saúde pública e aumenta os fluxos financeiros para os países africanos, graças aos esportistas de alto nível que partiram para o exterior.
 

Alguns benefícios parecem mais comedidos...

É verdade. Os benefícios do esporte apresentados para a organização de grandes eventos, por exemplo, não ultrapassam geralmente o curto prazo: um estudo mostrou que os empregos criados no contexto de grandes obras são frequentemente ocupados por trabalhadores estrangeiros e não são perenizados no final do evento.

No plano ambiental, as obras associadas às grandes competições podem gerar deslocamentos populacionais e degradações de ecossistemas. Relativamente aos estudos de impacto ambiental e social, estes não são sistematicamente realizados. Esses problemas são aliás frequentes nos países desenvolvidos ou em desenvolvimento.

Contudo, é possível constatar uma consciencialização importante a esse respeito. Federações internacionais, tais como a FIFA ou o Comitê Olímpico Internacional (COI), enquadram a organização de seus eventos com normas cada vez mais rigorosas, de um ponto de vista ambiental.

Em termos de saúde, embora o esporte para todos possa encorajar a adoção de boas práticas sanitárias, graças a educadores bem formados, o esporte intensivo pode, por outro lado, criar problemas de dopagem e equilíbrio psíquico das crianças, quando praticado demasiadamente cedo.

No entanto, a constatação principal deste estudo incide na falta de dados, quer qualitativos, quer quantitativos, associados a esta temática. Não é raro que as publicações dos pesquisadores baseiem-se em pequenas amostras, próprias de um contexto ou lugar e, por conseguinte, dificilmente generalizáveis. Assim, é dificilmente possível tirar conclusões inequívocas sobre cada impacto positivo e negativo do esporte nos países em desenvolvimento. Existe então um trabalho a fazer de coleta de dados a longo prazo.
 

Que outras questões os pesquisadores se colocam relativamente a este assunto emergente?

Muitos pontos permanecem por explorar: como perenizar os empregos e a indústria criados em torno dos grandes eventos esportivos? Como limitar a degradação do meio ambiente? Quais são as repercussões associadas à organização de uma competição como a Copa da África das Nações?

Também poderia ser interessante saber em que medida a prática do esporte influi nos resultados escolares. Sabemos que melhora a concentração e as capacidades cognitivas dos alunos nos países desenvolvidos. Mas qual é a situação nos países em desenvolvimento?
 
Lembremos que a AFD faz parte dos pioneiros da utilização do esporte como ferramenta de desenvolvimento, inclusive com parcerias concluídas com a NBA e a FIFA. Um convite para apresentação de projetos foi lançado com a Guilde Européenne du Raid e uma plataforma de encontros de stakeholders será lançada no primeiro semestre de 2020. A AFD também apresentou no final de junho sua abordagem metodológica do desenvolvimento pelo esporte aos membros do clube IDFC que reúne 24 bancos nacionais de desenvolvimento mundo afora. O interesse existe. E esperamos que o entusiasmo, assim como um melhor conhecimento dos desafios, irão aumentar.