10 fatos a reter sobre a primeira cúpula mundial dos bancos de desenvolvimento

published on 19 November 2020
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FICS
Organizada de 9 a 12 de novembro, em Paris, e sediada pela Agence Française de Développement (AFD), a primeira Cúpula Finança em Comum permitiu federar os bancos públicos de desenvolvimento em torno das questões essenciais da Agenda 2030 e lançar uma nova coalizão. Um olhar retrospectivo sobre 10 pontos desta cúpula inédita.

1Uma coalizão mundial, uma declaração comum

Através de uma ambiciosa Declaração Comum, os 450 bancos de desenvolvimento (BPDs) conseguiram formar uma coalizão mundial determinada a agir a serviço do planeta e das populações.
Este compromisso comum de instituições cujo papel é mais essencial do que nunca no contexto atual, e que representam 10% dos investimentos mundiais, é acompanhado da vontade de alinhar os financiamentos com o Acordo de Paris, apoiar a biodiversidade e intensificar o combate às desigualdades, particularmente em matéria de gênero. Outras declarações emanaram de coalizões específicas de bancos públicos de desenvolvimento desejosos de se engajar mais em certas temáticas. 

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2O apoio do presidente da república e das instâncias internacionais

No âmbito da declaração conjunta dos BPDs, Emmanuel Macron destacou a capacidade de ação real dos bancos de desenvolvimento, e da AFD, em particular, a serviço de uma transição justa. O presidente francês lembrou o papel de plataforma da AFD, capaz de mobilizar todos os atores do sistema financeiro. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, também prestaram um forte apoio à ação concertada dos bancos públicos de desenvolvimento.
 

310 mil participantes, redes sociais mobilizadas

A comunidade do desenvolvimento soube se fazer ouvir: este fato inédito para os 450 bancos públicos de desenvolvimento do mundo deu lugar à organização de 25 eventos de alto nível sobre temas como o financiamento da economia africana, as questões de gênero, os investimentos sociais, o clima e a biodiversidade.

Estas sessões reuniram mais de 100 painelistas e foram seguidas por 10 mil participantes. No Twitter, o hashtag #financeincommon2020 foi utilizado mais de 3500 vezes.

 

4Novos projetos para a AFD

Por ocasião da Cúpula Finança em Comum, o Grupo AFD comprometeu-se com seus parceiros em novos projetos de grande envergadura. Estes programas têm por objetivo, designadamente, apoiar a resiliência face ao risco monetário associado à Covid-19, erradicar a fome e a pobreza nos meios rurais, favorecer uma maior resiliência dos sistemas de saúde na África e reforçar o financiamento dos bancos de desenvolvimento africanos em favor do clima. 

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5Ume base de dados sobre os bpds única no mundo

Antes dos dois dias dedicados à cúpula, a 14ª Conferência Internacional de Pesquisa em Desenvolvimento da AFD, intitulada “A mão visível: os bancos de desenvolvimento em transições”, permitiu reforçar o conceito de banco público de desenvolvimento na paisagem acadêmica. Ela contribuiu para demonstrar o papel que os BPDs poderiam desempenhar numa arquitetura financeira orientada para o desenvolvimento, com financiamentos maciços alinhados com o Acordo de Paris e os ODS. Foi neste contexto que uma vasta base de dados inédita sobre os BPDs elaborada pela AFD e a Universidade de Pequim foi apresentada, através de um site de datavisualização. Esta conferência de pesquisa também tornou possível a publicação de dez recomendações estratégicas para dar aos BPDs meios de desempenhar plenamente seu papel de “mãos visíveis”.

 

64 bilhões de dólares para o setor privado na áfrica 

As Instituições Financeiras de Desenvolvimento Europeias (EDFI), incluindo a filial da AFD dedicada ao setor privado Proparco, anunciaram um plano de apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) africanas de pelo menos 4 bilhões de dólares mobilizados até o final de 2021. Estas empresas geram de longe a maioria dos empregos na África: contribuir para sua criação, promoção e financiamento é essencial numa perspectiva global de desenvolvimento.

Além das 15 Instituições Financeiras de Desenvolvimento (IFDs) europeias da associação EDFI, os primeiros participantes desta coalizão incluem o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Banco de Desenvolvimento da África Ocidental (BOAD), a Corporação Islâmica para o Desenvolvimento do Setor Privado (ICD), a FinDev Canada e a US International Development Finance Corporation. Espera-se que outras instituições se juntem à coalizão inicial. 

 

7​A igualdade entre homens e mulheres no centro das preocupações

Em torno da igualdade de gênero, quatro eixos de intervenção prioritários foram integrados à Declaração Comum para a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres: reforçar o compromisso dos BPDs em favor da igualdade entre os sexos, aumentar a porcentagem dos fluxos financeiros para operações sensíveis ao gênero, contribuir para políticas de combate às mudanças climáticas sensíveis ao gênero e, por último, melhorar o diálogo e a colaboração com todas as partes interessadas em questões de gênero.

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_Cada vez mais pelo clima

O International Development Finance Club (IDFC), que reúne os 26 maiores bancos de desenvolvimento regionais e nacionais do mundo, e já muito implicado nas questões climáticas, também anunciou novas medidas no âmbito da cúpula. Estas incluem ferramentas que permitem concretizar o alinhamento com o Acordo de Paris, levando em conta a dimensão social no contexto da pandemia de Covid-19 e a interconexão entre clima e biodiversidade. O IDFC também anunciou várias decisões marcantes, tais como a criação do Fundo IDFC para o Clima, comunicada durante a COP25, e uma parceria estratégica com o Fundo Verde para o Clima (FVC).

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9Uma posição comum para uma economia pró-biodiversidade

O IDFC também anunciou um investimento maciço na conservação, uso sustentável e restauração da biodiversidade. Reconhecendo a importância do investimento público nas profundas mudanças destinadas a deter a perda de biodiversidade e a viabilizar uma recuperação econômica a longo prazo, os membros do IDFC estão envidando esforços conjuntos para adotar uma posição comum a fim de manter o capital natural e desenvolver uma economia pró-biodiversidade. Em sua Declaração Comum, os bancos públicos de desenvolvimento afirmam sua disponibilidade para ajudar a alinhar os fluxos financeiros com o futuro quadro mundial de biodiversidade pós-2020 a ser adotado durante a COP15 sobre biodiversidade.

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10O esporte na equipe do desenvolvimento

Uma vasta coalizão do esporte a serviço do desenvolvimento foi anunciada em 11 de novembro, no âmbito da cúpula, por Rémy Rioux, diretor-geral da AFD, e pelo presidente dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, Tony Estanguet. A Coalizão Esporte para o Desenvolvimento está empenhada em reforçar os meios financeiros, investimentos e competências para construir coletivamente um mundo ambientalmente viável, em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Esta iniciativa é acompanhada por uma poderosa ferramenta de financiamento e interação: a plataforma Esporte em Comum. “More sport, more impact!” (Mais esporte, mais impacto!)

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