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Incubadora de saúde África infantil hospital AFD
Tornar os sistemas de saúde dos países em desenvolvimento mais eficazes face às doenças crônicas, à falta de pessoal ou à escassez de informações sanitárias: tal é a promessa das novas tecnologias de saúde. Conheça 5 projetos apoiados pela Agence Française de Développement.

número 1Na tunísia, a telemedicina preenche os desertos médicos

Telemedicina da Tunísia - Augustin Le Gall
© Agustin Le Gall / AFD



 Na Tunísia, o deserto também pode ser médico. No centro do país, certas zonas sofrem de um déficit crônico de médicos especializados: cardiologistas, radiologistas, obstetras… Para remediar essa situação, a Agence Française de Développement (AFD) acompanha a Tunísia, desde 2016, no desenvolvimento de uma solução adaptada: a telemedicina.

A telemedicina permite a consulta e o diagnóstico remoto entre os pacientes e especialistas situados em grandes hospitais, a centenas de quilômetros”, explica Anne Roos-Weil, responsável de equipe no âmbito do projeto Saúde da AFD.
O programa tunisiano de digitalização dos serviços de saúde apoiado pela AFD beneficiou de uma subvenção de 500 mil euros e deve receber um empréstimo de 27 milhões de euros. Seu objetivo é reduzir as desigualdades territoriais de saúde em cinco áreas: a cardiologia, a obstetrícia, a perinatalidade, a radiologia e as emergências.

Esta ferramenta permite também reduzir os deslocamentos e, portanto, os gastos de transporte dos pacientes e as emissões de gases de efeito estufa”, observa Anne Roos-Weil. Os promotores do projeto avaliam esta redução a quase 5 mil toneladas de CO2 em três anos.



número 2Em camarões, incubadoras conectadas socorrem os bebês

 Camarões - Agência Universitária de Inovação - AUI
© AUI

 

Em Camarões, conta-se menos de 100 incubadoras para mais de 7 mil estabelecimentos de saúde. Resultado: mais de 20 mil mulheres perdem a cada ano seus bebês nascidos prematuramente, devido, principalmente, à falta de equipamentos adaptados. No país, as chances de sobrevivência de um prematuro são doze vezes menores que na Europa.

Premiada este ano no AFD Digital challenge – que lhe permite beneficiar de conselhos, formações e uma subvenção de 15 mil euros – a start-up camaronesa AUI Techno, sediada em Yaoundé, entende, contudo, resolver esta lacuna com a incubadora neonatal conectada de sua invenção.

Esta integra um sistema de fototerapia, sensores e uma câmara que permite que o médico siga em tempo real o estado de saúde do bebê, através de um aplicativo mobile. O especialista também pode regular remotamente a incubadora e visualizar o estoque de aparelhos disponíveis. Os dados poderão então ser compartilhados com pesquisadores para melhorar o tratamento dos bebês no futuro.

Inteiramente “made in Camarões”, esta incubadora promete, sobretudo, ser mais barata que os equipamentos atualmente disponíveis, devendo assim possibilitar que mais estabelecimentos de saúde adquiram este tipo de equipamento, em Camarões, no restante da África e em outras partes do mundo.


número 3No quênia, o seguro saúde no telefone

Quênia - CarePay - Nyasha Kadandara
© Nyasha Kadandara



No Quênia, onde 93% dos habitantes não possuíam, há pouco, acesso a uma cobertura de saúde, os pacientes podem doravante subscrever um seguro saúde e pagar seus cuidados numa vasta rede de hospitais, graças a um simples objeto: o telefone celular.

Foi o que a start-up queniana CarePay tornou possível, com sua plataforma M-Tiba. Surfando no desenvolvimento das soluções de pagamento mobile na África, o sistema permite que os quenianos autorizem o pagamento da consulta ativando um código pelo celular.

O sistema é hoje utilizado por mais de 4 milhões de usuários e cerca de 2700 operadores de saúde no Quênia. No início de 2019, a CarePay beneficiou de um empréstimo de 150 milhões de xelins quenianos (1,3 milhão de euros) da Agence Française de Développement, que lhe permitiu estender a plataforma a 500 novos operadores de saúde. Graças a este sucesso, a CarePay prepara-se agora a lançar seus serviços em outros países, incluindo a Nigéria, a Tanzânia, a Índia e os Países Baixos.


 
número 4Em burkina faso, smss para sensibilizar às boas práticas de saúde

Burkina - aloLaafia - GRET
© GRET



Na região de Gourma, a leste de Burkina Faso, onde as taxas de desnutrição e mortalidade infantil são extremamente elevadas, a ONG Gret implementou, com o apoio da AFD, um sistema que facilita o acesso das famílias às informações de saúde.

Seu serviço AlloLaafia (“Alô saúde”, em língua Moré) permitiu que as famílias subscrevessem envios por sms e mensagens vocais de conselhos personalizados sobre diferentes temáticas de saúde: boas práticas nutritivas, acompanhamento da gravidez e do bebê, planejamento familiar… “Estas mensagens as incitam a agendar consulta nos centros de saúde, quando necessário. O acompanhamento dos pacientes é melhor”, diz Gwenael Prié, responsável de equipe do projeto Digital na AFD.

Esta ferramenta também possibilita que as populações leiam os conselhos de saúde num quadro mais íntimo, além de permitir que parentes, filhos, avós ou marido, possam ter acesso às informações”, acrescenta. Surpresa: entre os 25 mil cadastrados do serviço na região de Fada Gourma, onde o dispositivo foi implementado, 50% são homens, um plebiscito para este novo meio de comunicação que completa no cotidiano as tradicionais sessões de informação dos agentes de saúde locais.


 
número 5No senegal, a ultrassonografia numa maleta

Senegal - mala - AMRef
© AMRef


A região de Kolda, no sul do Senegal, dispõe de apenas um punhado de ginecologistas para uma população de mais de 800 mil habitantes. Não é preciso dizer que as mulheres das aldeias da selva não os consultam regularmente.

Mas esta situação está mudando, graças ao programa Cellal e Kisal da AMRef, uma ONG africana que é referência na área de saúde pública. Financiado pela AFD, ele permitiu desenvolver uma maleta de telemedicina equipada com um ecógrafo, para democratizar as consultas pré-natais o mais perto possível das gestantes.

Esta maleta conectada já está disponível em vários centros de saúde, e as parteiras foram devidamente formadas na sua utilização. As gestantes das aldeias de Kolda podem assim beneficiar de um exame de ultrassonografia perto de casa. Em caso de imagem suspeita, esta é imediatamente transmitida pela Internet, graças a uma chave 3G, a um dos cinco ginecologistas participantes do programa, a fim de estabelecer um diagnóstico remoto. A maleta contém também instrumentos que permitem realizar outros testes de saúde: glicemia, teste do HIV, etc.

Esta maleta permite solicitar o parecer de um especialista e obter uma resposta rápida, em caso de urgência”, sublinha Anne Roos-Weil. A possibilidade para as mulheres de ter um acompanhamento regular de sua gravidez, ao alcance de seus meios, transformou sua relação com o centro de saúde. Um verdadeiro progresso.
 

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