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saneamento da água Camboja AFD
Por ocasião da Semana Mundial da Água, realizada em Estocolmo, de 25 a 30 de agosto, Céline Robert, chefe da Divisão Água e Saneamento da Agence Française de Développement, explica as principais questões mundiais em torno desse recurso.

Celine Robert, AFD, água e saneamento
© Gil Lefauconnier / AFD

Que grandes questões a Semana Mundial da Água focará este ano?

Todos os anos, a Semana Mundial da Água concentra-se num tema forte definido pela ONU. Se o ano passado abordou as soluções baseadas na natureza, em 2019, o foco principal será a redução da desigualdade: como garantir que os mais vulneráveis tenham acesso a água potável e a um saneamento digno? Vale lembrar que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 6 visa o acesso universal a serviços de água e saneamento de qualidade até 2030.

Lembremos ainda que a água é uma questão crucial para o planeta que requer uma mobilização renovada: cerca de 2,1 bilhões de pessoas continuam sem acesso à água potável, e 4,5 bilhões não beneficiam de saneamento satisfatório. A situação é particularmente preocupante na África Subsaariana, onde apenas 27% da população tem serviços de água de boa qualidade, e esta percentagem cai para 18%, quando se trata de saneamento.

Como resultado da pressão antrópica e das mudanças climáticas, os recursos hídricos estão cada vez mais sob pressão. Consequentemente, estima-se que, até 2050, mais da metade da população mundial enfrentará escassez de água pelo menos uma vez por ano. Estes desafios exigem um aumento dos recursos humanos e financeiros consagrados ao setor e uma melhoria dos modos de governação.


Quais são as causas das desigualdades de acesso à água?

As desigualdades de acesso à água e ao saneamento são encontradas em várias escalas: entre países, entre áreas rurais e urbanas, entre bairros informais e centros urbanos... Elas afetam mais duramente as populações mais vulneráveis. Nas áreas que não possuem serviços públicos de água, sistemas informais propõem água, sem qualquer garantia de potabilidade, e a um preço geralmente cinco a dez vezes superior!

A falta de acesso à água e ao saneamento também afeta as mulheres e meninas. Em muitos países, cabe a elas cuidar do abastecimento e do transporte da água, uma tarefa tão difícil quanto arriscada. A falta de banheiros e produtos de higiene menstrual nas escolas também dificulta a assiduidade - e, portanto, o sucesso escolar - das meninas durante a puberdade. Apenas 45% dos centros de saúde dos países menos desenvolvidos têm um serviço básico de água, com consequências inevitavelmente significativas para a saúde materna e infantil.


Que temas a Agence Française de Développement abordará este ano? 

Para a Semana Mundial da Água organizada em Estocolmo, a delegação da AFD e sua filial Proparco focarão cinco problemáticas: os instrumentos financeiros que serão utilizados para a realização do ODS nº 6, as desigualdades de gênero (e, particularmente, a higiene menstrual), o acesso à água no Sahel, os progressos de governação e financiamento do setor, e a melhoria dos recursos hídricos mobilizando soluções baseadas na natureza. Nesta perspectiva, foi prevista a assinatura de uma convenção de parceria com a ONG The Nature Conservancy na quarta-feira, 28 de agosto.

Esta Semana Mundial da Água é também uma oportunidade para encontrarmos nossos parceiros, comunicar sobre nossos projetos e manter-nos informados sobre as últimas inovações.

A mobilização da AFD no setor de água e saneamento está em plena expansão: entre 2014 e 2018, um bilhão de euros, em média, foi concedido anualmente, para o financiamento de novos projetos, ou seja, 10% dos montantes totais autorizados pelo Grupo AFD. Em termos de impacto, os projetos aprovados pela AFD em 2018 permitirão que mais de 5 milhões de pessoas beneficiem de melhores serviços de água e saneamento.

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