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A AFD contribui para a liberdade de informação no mundo
O Prêmio Nobel da Paz 2021 foi atribuído e entregue, no dia 10 de dezembro, ao jornalista russo Dmitri Muratov e à jornalista filipina Maria Ressa, por seu corajoso combate pela liberdade de expressão. Esta é a primeira vez que o Prêmio Nobel se posiciona sobre esta temática. Mas você sabia que a Agence Française de Développement também é ativa nestes assuntos? Leia a opinião de três especialistas do Grupo sobre estas questões.
Há quanto tempo a AFD atua em prol da liberdade de informação?

Ambroise Pierre, responsável de equipe de projeto na Divisão de Governança: Desde 2016, quando a AFD recebeu o mandato de Governança do Ministério da Europa e dos Negócios Estrangeiros, começamos a financiar projetos dedicados à liberdade de imprensa, ao apoio e à formação dos jornalistas, ao reforço dos meios de comunicação e ao combate à desinformação. Porém, a AFD já estava ativa nestas questões há mais de dez anos, através de seu apoio a projetos de organizações da sociedade civil.

Emilie Aberlen, responsável de projeto na Divisão Organizações da Sociedade Civil: Graças ao dispositivo Iniciativas–OSC, a AFD tornou-se um dos principais doadores da ONG Repórteres sem Fronteiras. De uma ação inicialmente centrada na defesa dos jornalistas, a AFD acompanhou sua transição para a defesa de um jornalismo independente e de qualidade, mais do que nunca uma condição essencial da vida democrática e do respeito dos direitos. O aumento de nosso portfólio de iniciativas OSC sobre a mídia ilustra, aliás, o crescimento destes desafios! E cada vez mais projetos em outros setores integram parceiros da mídia para conduzir ações de conscientização, monitoramento cidadão e advocacia.

Jean-Bertrand Mothes, responsável pela Divisão Fragilidades, Crises e Conflitos: Nos últimos oito anos, a AFD, através da divisão CCC, patrocina e concede a recompensa do público na categoria foto do Prêmio Bayeux Calvados-Normandie dos correspondentes de guerra. Este ano, o fotojornalista palestino Abu Mustafa Ibraheem foi premiado por sua reportagem “11 dias de bombardeio em Gaza”.

Por que intervir sobre estas questões?

A. P.: Apoiar a liberdade de expressão e informação é apoiar uma liberdade fundamental e indispensável à democracia e ao desenvolvimento. Não há transparência sem acesso à informação! Também não pode existir participação cidadã ou controle cidadão da ação pública sem pluralismo e possibilidade de se exprimir publicamente. É por isso que, na AFD, nossos projetos são orientados para a estruturação da mídia e de seu ecossistema. Apoiar a mídia também é uma forma de alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: são espaços de diálogo, ferramentas de inclusão e poderosas alavancas de coesão que podem provocar mudanças nas questões de saúde, educação, clima, etc.

J.-B. M.: Podemos tomar como exemplo a região do Sahel, que atravessa uma série de crises multiformes e onde a mídia, enfraquecida por este contexto degradado, oferece no entanto uma oportunidade de voltar a dar voz aos jovens e de incluí-los no debate público. Nesta área, apoiamos o projeto MédiaSahel desde 2019 com a CFI (Grupo France Médias Monde). O objetivo é reforçar as capacidades da mídia suscetíveis de afetar jovens e mulheres, tais como estações de rádio comunitárias e redes sociais. Eles são formados para produzir conteúdos atraentes, independentes e sensíveis ao gênero e ao conflito, dando voz à juventude e valorizando suas iniciativas.

Que outros exemplos de projetos pode nos dar?

A. P.: No Oriente Médio, estamos financiando o projeto Qarib (“próximo” em árabe), que visa aproximar autoridades e cidadãos através da mídia. Isto inclui apoio à produção de conteúdos de proximidade, apoio a iniciativas de combate à desinformação, acompanhamento de meios de comunicação independentes em seu modelo econômico e diversificação de suas fontes de renda, ou ainda, facilitação de debates em nível local, nacional e regional. Implementado pela CFI no Iraque, Jordânia, Líbano e Territórios Palestinos, este projeto nos permite trabalhar com atores regionais reconhecidos, como os Repórteres Árabes para o Jornalismo Investigativo (ARIJ) ou a Fundação Samir Kassir.

J.-B. M.: Outro projeto, implementado no âmbito de nossa Iniciativa Minka Lago Chade, é o apoio à Rádio Ndarason Internacional (“Onde quer que você se encontre”, em kanouri), uma estação implantada no Chade e no nordeste da Nigéria, que também emite em Camarões e no Níger. Dificuldades socioeconômicas, degradação da situação de segurança, crise humanitária e alimentar, deslocamento de milhões de pessoas: desde 2009, o desenvolvimento da região do Lago Chade foi gravemente afetado e as tensões intercomunitárias agravaram-se, ao mesmo tempo em que a coesão social deteriorou-se. Além de ajudar a estrutura a melhorar seus procedimentos e seu funcionamento global, nosso apoio permitiu, por exemplo, que esta estação de rádio, que emite em kanouri, kanembou, boudouma e francês, desenvolvesse um novo programa de informação e diálogo regional.  

E. A.: Repórteres sem Fronteiras, com quem nossa parceria será reforçada ao longo de 2022, lançou em 2018 duas grandes iniciativas para lutar contra o caos informacional e assegurar a regulação do espaço mundial da informação. Nosso Grupo acompanha atualmente a participação das sociedades civis do Sul nestas iniciativas, para que sejam declinadas nos quadros de regulação e práticas jornalísticas de vários outros países, tais como Burkina Faso, Benin, RDC, Costa do Marfim, Líbano, Mali, Senegal e Tunísia. Com Orient XXI, também apoiamos o desenvolvimento de sites de informação independentes sobre o mundo árabe: este projeto desenvolve uma rede de mídia para reforçar as competências profissionais e a estruturação dessas mídia no Egito, Jordânia, Líbano, Síria e Tunísia.

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