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IUCN
O International Development Finance Club, presidido pela Agence Française de Développement, organizou neste 4 de setembro, no Congresso Mundial da Natureza da IUCN em Marselha, uma mesa redonda sobre o papel dos bancos públicos de desenvolvimento para combater o declínio da biodiversidade. Trechos selecionados.
“Nós somos as abelhas e os polinizadores do sistema financeiro”

Para Rémy Rioux, diretor-geral da Agence Française de Développement (AFD) e presidente do International Development Finance Club (IDFC), a crise da biodiversidade não é apenas um desafio ambiental a ser enfrentado, mas também um desafio econômico e social que requer uma resposta de todas as partes interessadas, e, em particular, as da finança.

Felizmente, é possível reconciliar a natureza e o mundo financeiro. Este último interessa-se, aliás, cada vez mais”, observa Rémy Rioux. E por uma boa razão: um terço dos ativos das instituições financeiras depende de ecossistemas saudáveis.

Neste contexto, o diretor-geral da AFD considera a missão do Banco Público de Desenvolvimento como a de uma abelha: “Nós, os bancos públicos de desenvolvimento, somos as abelhas e os polinizadores do sistema financeiro: transmitimos mensagens aos diferentes atores, encontramos os instrumentos financeiros adequados, etc.

Para o diretor-geral da AFD, os 500 bancos públicos de desenvolvimento do mundo, que representam cerca de 10% dos investimentos realizados à escala mundial, são hoje esperados para incentivar a finança verde e, em particular, a proteção da biodiversidade.

Precisamos orientar nossos negócios na direção certa, e isso pressupõe que todos os atores financeiros falem a mesma língua. A Taskforce on Nature-related Financial Disclosures – um grupo de trabalho que associa atores públicos e privados na publicação dos riscos relacionados à natureza no setor financeiro - é uma ferramenta eficaz para conseguir isso”, avalia.

“Estamos prontos para compartilhar os riscos financeiros”

Christiane Laibach, administradora do banco de desenvolvimento alemão KfW, enfatizou durante o intercâmbio a necessidade de incentivar o setor privado a unir-se aos esforços dos bancos públicos de desenvolvimento em prol da biodiversidade.

Para tal, a partilha de experiências e de saber entre os atores da finança internacional é essencial, assim como a inovação”, considera Christiane Laibach. “Estamos dispostos a partilhar certos riscos financeiros, o que é algo que o setor público pode assumir para que o privado se envolva.

Com um apoio de 3 bilhões de dólares a cerca de 400 projetos que beneficiam a biodiversidade à escala mundial, o KfW iniciou há vários anos uma mutação em seu funcionamento interno, a fim de melhor ter em conta a biodiversidade em suas atividades.


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Para nós, é muito importante que as pessoas no terreno e os parceiros estejam no centro dos nossos processos de inovação”, julga Christiane Laibach. “Ao criar fundos como o Legacy Landscape Fund, que estabelece uma ponte entre as necessidades das populações, dos países e dos investidores, então isto funciona.

“Quanto mais rica é a biodiversidade de um lugar, mais pobres são as pessoas que ali vivem”

Gustavo Montezano confirma: os bancos públicos de desenvolvimento têm um papel importante a desempenhar na promoção da integração da biodiversidade no setor financeiro.

Para o presidente do BNDES, o banco de desenvolvimento brasileiro, eles podem intervir em três níveis: “O da regulamentação, o da política e o do último quilômetro, o mais próximo possível do povo”. E este último é, a seu ver, o mais importante.
O que se observa no Brasil”, desenvolve Gustavo Montezano, “é que quanto mais rica é a biodiversidade de um lugar, maior é o capital natural, e mais pobres são as populações que vivem ao seu redor”.

Para remediar esta forma de incongruência, o BNDES não hesita em trabalhar com multinacionais como a Coca-Cola ou a Microsoft para modificar o “sinal-preço”, para que o valor dos serviços prestados pelos ecossistemas sejam melhor considerados e beneficiem as comunidades locais. Uma coisa é certa: “Mais biodiversidade deve rimar com mais riqueza”.

“Imitar o que tem sido feito para o clima”

Para Ingrid van Wees, vice-presidente de finanças e gestão de riscos do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD), isto significa, por exemplo, apoiar os países que o desejem na criação de estruturas estratégicas, técnicas e legais favoráveis à biodiversidade.

O objetivo? Permitir a realização de projetos ambiciosos a serviço da biodiversidade, à imagem da proteção, ou mesmo da restauração, das zonas úmidas situadas ao longo dos corredores utilizados pelas aves migratórias. Estas zonas úmidas permitem que muitas espécies de aves protegidas façam paradas, necessárias à sua sobrevivência.

 

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