• logo linkedin
  • logo email
Photo couv
O desenvolvimento econômico e a política de proteção do clima não são incompatíveis. É o que querem demonstrar o Brasil e o México ao lançarem as discussões com os setores econômicos mas poluidores para incentivá-los a adotar estratégias de desenvolvimento de baixo carbono.

As empresas, assim como os Estados, têm a sua parte de responsabilidade nas mudanças do clima. Embora a maioria dos governos tenha se fixado objetivos em termos de redução das suas emissões de gases de efeito estufa, esse não é o caso da maioria das empresas no mundo.

Mas o Brasil e o México tencionam mudar a situação. Os dois países vão lançar um projeto de incentivo das empresas dos ramos econômicos mais poluidores para adotarem trajetórias ambiciosas de redução das suas emissões de GEE. Isto é, para adotarem os seus próprios planos climáticos.

Consumo de energia em alta

Os dois Estados estão passando dificuldades hoje para conciliar o seu desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente. No Brasil, a alta do custo da vida, a urbanização e o forte desenvolvimento do transporte rodoviário geraram, nos últimos anos, uma elevação das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Quanto ao México, o seu consumo de energia, de origem principalmente fóssil (em 80% hoje), não parou de crescer desde os anos 1990.

Para remediar essa situação, Brasil e México vão criar um dispositivo para facilitar o diálogo sobre o combate às mudanças do clima entre atores públicos, especialistas e empresas. Coisa inédita. Mesmo porque não se trata de obrigar as empresas a adotarem estratégias de decarbonação, e sim de incitá-las a implementar políticas por conta própria. 

Elas poderão lançar mão da experiência de dois organismos franceses firmemente engajados em benefício do clima: a Agência do Meio Ambiente e do Controle da Energia (ADEME) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e de Relações internacionais (IDDRI).A primeira elaborou um método de análise das estratégias de baixo carbono das empresas, o Assessing Low Carbon Transition e coordenará o projeto. O segundo está realizando um estudo de identificação de todos os recursos disponíveis para os países operarem uma transição para uma economia de baixa emissão de CO2.

Um projeto replicável em outros países

No Brasil, os setores identificados no escopo do projeto incluem a geração de energia, a produção de cimento (30 % das emissões de GEE provenientes do setor industrial em 2012) e a agropecuária (um terço das emissões nacionais de GEE em 2014).

O México também está apostando numa profunda mutação dos métodos de geração de energia e de produção de cimento, e vai combater a poluição gerada pelo transporte rodoviário (31 % das emissões de gases de efeito estufa do país em 2014).

Esse projeto comum será lançado em janeiro de 2019 e deverá durar mais de dois anos. O Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial (FFEM) participou da metade do financiamento do projeto, por meio de uma doação de 762.000 euros.

No futuro, esse diálogo Estado-industria focalizado sobre o desenvolvimento de baixo carbono será reproduzido em outros países. É o que desejam os responsáveis pelo projeto, que o conceberam de forma a garantir a sua fácil replicação em outros lugares. Uma nova esperança, em tempos de urgência climática.

 

Ler igualmente