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NBA, Basketball africa league
Na véspera da partida entre Milwaukee Bucks e Charlotte Hornets, em Paris, na sexta-feira, 24 de janeiro, a NBA e a AFD organizaram uma conferência sobre o lançamento da Basketball Africa League. E as suas ambições declaradas em termos de desenvolvimento para a África.

A partir de 13 de março, as primeiras bolas irão rolar na área da Arena Dakar e de outros recintos que reunirão os doze clubes da Basketball Africa League (BAL) que pretendem levar o basquete de alto nível ao coração da África. Mas não apenas isso: a bola laranja deve servir a objetivos ambiciosos de desenvolvimento em matéria de educação, saúde, cidadania, igualdade de gênero, desenvolvimento sustentável e empreendedorismo. Este é o sentido da parceria já implantado entre a Agence Française de Développement (AFD) e a NBA, a célebre liga de basquete norte-americana na origem da criação do BAL. 

Para Rémy Rioux, diretor geral do AFD, «a Basketball Africa League reúne tudo que o esporte pode trazer em termos de relações sociais, acesso à cidadania, igualdade entre homens-mulheres, do meio-ambiente, da economia. » Insistindo no fato de que «é necessário investir na África, na juventude, no esporte», Rémy Rioux observa que o BAL é um projeto «pan-africano, apresentado pelos Africanos. É uma realização muito ambiciosa que irá gerar criatividade e inovação. Mudando a forma de como o resto do mundo olha para a África.» 


Uma escola de formação de cidadãos, uma ferramenta de desenvolvimento econômico

Depois de ter saudado a presença de representantes de Mali, Ruanda, Angola e outros países africano em um auditório repleto, Amadou Gallo Fall não disfarça seu entusiasmo. Para o presidente da Basketball Africa League e vice-presidente da NBA, a observação é óbvia: «Nós compartilhamos com a AFD a nossa paixão pela África e, em particular, pela sua juventude. O basquete é um vetor de forte impacto sobre a juventude africana. É uma ferramenta ideal para desenvolver verdadeiros cidadãos prontos a levar nossas ambições para uma África forte e independente com a qual todos nós sonhamos.» Com o suporte da Federação Internacional de basquete, uma das partes interessadas no projeto, o BAL quer ser uma liga que promova «todos os componentes de desenvolvimento, incluindo o desenvolvimento econômico», um dado inseparável de outras ambições do projeto, de acordo com M. Fall. 

As doze equipes se enfrentarão em seis cidades, de sexta-feira a domingo. As fases iniciais ocorrerão no novo grande salão de Kigali, em Ruanda. Muitas ocasiões para que os jogadores e os fãs viajem, troquem, impulsionem o setor de turismo ou ainda incentivem a construção de novas infraestruturas. Uma aventura coletiva, à imagem do percurso de todos esses jogadores e jogadoras de basquete africanos ou de origem africana, para quem o esporte foi um degrau fantástico na vida. 


«O esporte apaga as diferenças»

Nascida na França, Diana Gandega descobriu ainda o país de seu pai, o Mali, indo jogar pela equipe nacional. «Eu não conhecia o país nem falava sua língua. No início na equipe, me chamavam "a branca", depois "toubab". E depois, se tornou a família. É o poder do esporte de saber apagar as diferenças.»

Ahmed Taofik andava, às vezes, três horas durante a noite para poder assistir as partidas do NBA no Canal+, na sua casa em Benin. À sua mãe que lhe deu seus primeiros calçados de basquete «Jordan», antes de morrer dois anos depois, ele fez uma promessa póstuma: o basquete será seu destino. «Eu me dediquei completamente. Graças ao basquete, explique este ex-membro da equipe nacional de Benin, tive a oportunidade de realizar meus estudos nos Estados Unidos.» Com sua carreira terminada, ele quis devolver aquilo que seu esporte lhe deu e criou a associação Enfants du Bénin debout (crianças de Benin de pé). Com, entre outras realizações, o primeiro torneio que reúne jogadores masculinos, femininos e deficientes. 

Dick Rutatika Sano, ele não começou ainda a sua carreira profissional. Com 15 anos, o jovem Rwandais é membro da prestigiosa NBA Academy Africa que combine esporte e estudo. «Para o basquete, eu deixei minha família com 14 anos, integrei um novo sistema de educação, foi duro, explica o adolescente perante uma mesa de especialistas, bem à vontade com a bola na mão. Mas aprendi muito, sobre como ser mais independente, principalmente». E se o basquete não tivesse que se tornar sua profissão, Dick já sabe onde ele quer chegar: «Eu seria arquiteto ou engenheiro, na minha casa, Ruanda África


O esporte como vetor de desenvolvimento, uma «pequena revolução cultural»

Enquanto Laëtitia Habchi, responsável adjunta da unidade da célula do vínculo social e conselheira de Esporte na AFD, anuncia a próxima criação de uma plataforma de esporte e desenvolvimento para facilitar as ligações entre os diferentes atores do setor, o cientista político Pascal Boniface comprimento a «pequena revolução cultural em curso». «Pensem, observa o fundador do Instituto de relações internacionais e estratégicas (IRIS), um operador público francês que se associa a um operador particular americano, ele é inédito. Quem mais está em um país como a França onde o esporte é raramente valorizado pelas suas elites. Considerar o esporte como alavanca de desenvolvimento significa compreender que o esporte é dirigido a todos.»

Último aspecto evocado durante esta manhã e não menos importante: a economia. «O esporte contribui com trilhões de dólares nas economias dos países no mundo, mas não na África. É preciso que isto mude, insiste Amadou Gallo Fall. Tudo lá está para tornar o BAL um motor potente para a atividade econômica dos países participantes.» E as mulheres, que têm o seu WNBA como alter ego da NBA masculina, mas nada ainda com a Basketball Africa League? «Isso vai acontecer!, exclama o presidente da liga, grande promotor da igualdade de gêneros. Só precisamos de um pouco de tempo, mas a vontade existe. »
 

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