Brasil: as águas residuais de Santa Catarina finalmente tratadas

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Brasil:
as águas residuais de Santa Catarina
finalmente tratadas
200
mil pessoas beneficiadas
500
quilômetros de esgotos adicionados à rede existente
9
estações de tratamento construídas
Desde 2012, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) vem realizando um ambicioso projeto para melhorar o tratamento das águas residuais das cidades do interior de Santa Catarina. Com cerca de 200 mil pessoas beneficiadas, a iniciativa oferece múltiplos benefícios, pois ajuda a preservar o meio ambiente, reduzir o gasto em saúde e melhorar o patrimônio turístico.

Trincheiras profundas dividem em dois as ruas pavimentadas do bairro popular de Nossa Senhora Aparecida em Curitibanos. Os trabalhadores estão instalando o novo sistema de esgoto da cidade, cujas águas residuais serão tratadas diretamente desde o início do próximo ano pela nova estação de tratamento em construção.

Como dezesseis outros municípios do interior do estado de Santa Catarina (regiões do Rio do Peixe e do litoral Centro Sul), Curitibanos é beneficiário do Programa de Saneamento Ambiental de Cidades de Médio Porte de Santa Catarina (30 000 a 40 000 habitantes), realizado desde 2012 pelo Casan e com um financiamento de 100 milhões de euros pela AFD. O objetivo é fornecer-lhes um sistema de esgoto até o verão de 2019, coletando inicialmente 20 a 50% de suas águas residuais - 500 km no total, 40 000 conexões para 200 000 pessoas, e nove novas estações de tratamento.

Este programa faz parte de um projeto global de saneamento de Santa Catarina, financiado para outras regiões pelo governo brasileiro e outras agências internacionais. Embora seja o quinto maior no Brasil em termos de PIB per capita, o estado atualmente é apenas o 16º (de 27) em termos de tratamento de águas residuais (15% da população contra 55% da média nacional). Quando todos os programas atuais estiverem concluídos, Santa Catarina espera chegar ao top 5 brasileiro com 45% da população coberta.

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Dona Janete e o futuro de seus filhos
"Se não investimos, nunca haverá um futuro para nossos filhos". A dona Janete Fatima Rosa de Lima possui uma pequena padaria em Curitibanos. Apesar dos muitos inconvenientes associados à instalação da nova rede de esgoto da cidade (lama, poeira, ruído, rua fechada ao trânsito, cortes de água...), a comerciante está ciente de sua necessidade.

"São as pessoas que têm poucos meios como nós que mais sofrem com as consequências da falta de saneamento: crianças doentes, inundações... Devemos fazer sacrifícios, mas será melhor então", diz ela.
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Luciana Franca da Cruz, um importante trabalho pedagógico
Todos os habitantes de Santa Catarina não têm a consciência de dona Janete. Ao contrário do acesso à água que é visível, o saneamento não é o oposto. Sua implementação com obras pesadas e seu custo alto podem gerar críticas. Em Curitibanos, é a assistente social Luciana Franca da Cruz, que é responsável por esclarecer as dúvidas dos habitantes, especialmente das classes mais populares.

A jovem indica que o aspecto financeiro é aquele que mantém a maior atenção dos habitantes. "A principal questão que surge é: quanto isso nos custará ?" ela ilustra. As autoridades municipais já estimam que o valor deve duplicar - de cerca de 10 a 20 euros por mês. Assim, além da prevenção de doenças, da preservação da água e do meio ambiente, Luciana Franca da Cruz não hesita em elogiar a valorização do imobiliário entre os benefícios apresentados.
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José Antonio Guidi, um prefeito preocupado com o futuro
Um atraso de cinquenta anos. Para José Antonio Guidi, Prefeito de Curitibanos, quando as cidades de tamanho médio, como o seu, cresceram, "o acesso à água e ao saneamento deveria ter sido a prioridade". Como resultado, seu município tem uma das piores taxas de desenvolvimento urbano em Santa Catarina, de acordo com ele. É por isso que o investimento financeiro (10 milhões de euros) foi o mais importante do programa da Casan, o que lhe permitirá "um salto significativo em comparação com outras cidades do país".

Embora os impactos do saneamento só sejam visíveis após o término de seu mandato, José Antonio Guidi fica feliz em deixar um legado positivo, particularmente em termos de saúde pública e meio ambiente: "É como a educação, estamos pensando no futuro, não apenas no momento do nosso mandato, para transformar uma sociedade oferecendo um ambiente melhor".
Estações de tratamento de águas residuais de ponta

O projeto da Casan inclui nove novas estações de tratamento de ponta, a maioria dos quais são modelos compactos, dependendo do tamanho da cidade. Atualmente, três estão em operação, em Chapecó por dois anos e desde o final do ano passado em Canoinhas e Braço do Norte.

 

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© Zuleika de Souza / AFD

 

Em Curitibanos, o local de construção da futura estação de tratamento, um modelo mais imponente do que os outros do Estado, está progredindo bem. Iniciado em junho de 2016, deve ser concluído em novembro. "Tratará 40% das águas residuais da cidade, depois rejeitando 95% para 98% de água pura", diz Marcio Rosa, um dos engenheiros de construção. Um mal menor na situação atual : "Hoje, a maioria das bacias e rios da cidade estão poluídos".

 

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Um saneamento com múltiplos impactos

O saneamento não tem tanto impacto em termos de visibilidade quanto o acesso à água. No entanto, seus benefícios em longo prazo serão múltiplos para Santa Catarina, com benefícios econômicos significativos. Em primeiro lugar, uma grande redução nas descargas de águas residuais na bacia hidrográfica do Estado terá o duplo efeito de permitir a reconquista ambiental de rios e do litoral e, consequentemente, uma valorização do seu potencial turístico.

Os males provocados pela poluição da água são numerosos e afetam particularmente as classes mais populares que muitas vezes vivem perto de cursos de água. Se eles são mais limpos, seus moradores serão muito menos expostos às doenças, reduzindo os custos de saúde pública. Como Curitibanos, as cidades de Santa Catarina poderão então dedicar seus recursos a outros setores necessitados, de acordo com José Antonio Guidi : "Esses cortes nas despesas irão beneficiar educação ou infraestrutura".