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México: incorporar a igualdade de gênero na ação climática
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Do campo à energia e às finanças, o México vem há mais de 20 anos articulando políticas que unem transição ecológica e igualdade de gênero, para reduzir desigualdades e fortalecer a voz das mulheres.
As populações mais vulneráveis são as primeiras a sentir os impactos da mudança climática. Desde 2002, o México implementou o Plano Nacional de Ação sobre Gênero e Mudança Climática, que leva em consideração questões relacionadas à igualdade de gênero e à justiça social.
Presente no México há mais de 16 anos, a AFD apoia as instituições públicas nesse processo que integra a luta contra a mudança climática e pela igualdade de gênero: “uma perspectiva não pode avançar sem a outra”, explica Andrea Morales, conselheira de Gênero e Desenvolvimento Sustentável da AFD para a América Latina.
Que desigualdades surgem frente aos impactos da mudança climática?
Na América Latina, as mulheres detêm aproximadamente 30% das terras agrícolas, e apenas 10% das agricultoras têm acesso a financiamento. Essas desigualdades reduzem sua capacidade de enfrentar secas, furacões e perdas agrícolas.
A isso se somam as atividades ligadas ao cuidado das crianças e dos idosos ou às tarefas domésticas, que ainda recaem amplamente sobre as mulheres. Essas responsabilidades limitam o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, à geração de renda e aos espaços de tomada de decisão.
Segundo as análises do Gender Climate Tracker, integrar a dimensão de gênero nas políticas climáticas permite melhorar o acesso aos recursos e aumentar a eficácia das estratégias de adaptação. No México, porém, a implementação de políticas climáticas que integrem a igualdade entre mulheres e homens, como as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), ainda enfrenta diversos obstáculos: falta de dados, resistências institucionais e orçamentos insuficientes.
Cooperar para uma transição justa e equitativa
Para Andrea Morales, “reconhecer as desigualdades existentes é o primeiro passo. O passo seguinte consiste em elaborar políticas públicas que beneficiem toda a população”.
Após o furacão Otis, no estado de Guerrero, foi realizado um trabalho em conjunto com o Ministério da Fazenda e do Crédito Público (SHCP). O objetivo era fortalecer a capacidade financeira das mulheres, frequentemente inseridas no setor informal e especialmente vulneráveis às crises.
A AFD também apoia o Ministério da Energia (SENER) na promoção de uma transição energética justa e na melhoria do acesso das mulheres às carreiras nas energias renováveis. Uma parceria histórica de mais de uma década com a Comissão Federal de Eletricidade (CFE) busca igualmente fomentar o desenvolvimento de políticas internas voltadas para a promoção da igualdade de gênero e a mitigação de estereótipos profissionais.
Em 2021, a AFD lançou, em parceria com o FIRA, principal banco público mexicano do setor agrícola, um programa de assistência técnica destinado a ampliar o acesso das mulheres aos serviços financeiros. Mais de 10.000 mulheres foram beneficiadas pela primeira emissão de títulos sociais dedicada à igualdade de gênero realizada pela instituição.
As mulheres no centro das decisões
A participação feminina nas políticas climáticas permanece como uma questão importante. Em novembro de 2025, um encontro reuniu na Cidade do México mulheres defensoras dos territórios vindas de diferentes regiões do país. O diálogo, realizado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (SEMARNAT) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), possibilitou articular as experiências locais com as políticas nacionais relativas ao clima e à igualdade.
As participantes compartilharam iniciativas desenvolvidas em seus territórios com o objetivo de proteger os recursos naturais, adaptar as práticas agrícolas e reforçar a resiliência das comunidades frente às mudanças climáticas. Esses relatos estão em consonância com as conclusões do relatório do PNUD “Voces de mujeres desde los territorios”.
Em 2026, o bicentenário das relações diplomáticas entre França e México constitui uma oportunidade para consolidar a agenda comum entre ambos os países e afirmar o papel da AFD como plataforma de diálogo entre a sociedade civil e o Estado.