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5 perguntas sobre as ações do grupo AFD
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Os gastos do grupo AFD impactam as finanças do Estado? O grupo financia potências emergentes? De que forma e por quê? De que forma se garante que o dinheiro realmente chega aos destinatários? Respondemos as cinco principais dúvidas sobre as nossas atividades.
1. Os recursos financeiros utilizados pelo grupo AFD vêm majoritariamente do Estado francês?
Não. A AFD é um banco público que obtém recursos para financiar seus empréstimos, sobretudo por meio de captações nos mercados financeiros. Em 2025, o grupo AFD captou 8,2 bilhões de euros emitindo títulos no mercado financeiro.
Aproximadamente 90% das operações do Grupo consistem em empréstimos, reembolsados pelos Estados, autoridades locais, empresas ou instituições financeiras beneficiados. As doações representam cerca de 10% da atividade e estão concentradas, de acordo com os compromissos internacionais da França, nos países mais vulneráveis, nas situações de crise e nos projetos conduzidos por organizações da sociedade civil. Todos esses investimentos são, em última análise, realizados a serviço de interesses globais: combate às mudanças climáticas, proteção da biodiversidade, saúde pública, educação, segurança alimentar.
Em 2025, o Estado francês destinou 1,5 bilhão de euros ao grupo AFD, frente aos 13,7 bilhões de euros de compromissos assumidos pelo próprio Grupo. A União Europeia, juntamente com outros parceiros, confiou ao grupo AFD a gestão de 500 milhões de euros.
Veja o vídeo: Qual é a origem dos recursos que o grupo AFD investe em todo o mundo?
O modelo financeiro da AFD permite que ela cubra seus custos operacionais e ainda gere resultados positivos. Em 2025, o grupo AFD registrou um resultado líquido de 417 milhões de euros. Em 2026, cerca de 25% desse resultado, pouco mais de 104 milhões de euros, foram transferidos ao Estado.
Entre 2020 e 2025, 49% dos projetos financiados pela AFD beneficiaram empresas francesas. O restante se dividiu entre empresas locais (26%), empresas estrangeiras (15%) e empresas europeias (10%). Os contratos apoiados pelo Grupo geraram, assim, cerca de 12 bilhões de euros em retornos econômicos diretos para as empresas francesas no mesmo período.
Os impactos econômicos ultrapassam os contratos concedidos, pois os projetos financiados contribuem para melhorar o clima empresarial e funcionam como vitrine para novas oportunidades. Assim, os projetos apoiados pela AFD reforçam o alcance internacional da França e promovem seu know-how nos setores de excelência.
2. O grupo AFD financia potências emergentes?
O grupo AFD não “dá” dinheiro às grandes economias emergentes. Nesses países, sua atuação assume principalmente a forma de empréstimos reembolsáveis, concedidos de acordo com a capacidade de endividamento do beneficiário e, na maioria das vezes, em condições próximas às do mercado.
Esses financiamentos dizem respeito, em especial, ao clima, à biodiversidade, aos transportes, à energia e à gestão sustentável dos recursos. As decisões tomadas por países como a Índia, o Brasil ou a Turquia têm, de fato, consequências globais, inclusive para a França, devido ao seu peso econômico, demográfico e ambiental. Essas ações também fortalecem parcerias estratégicas em áreas científicas, técnicas e econômicas.
Na China, a AFD concedeu empréstimos em condições de mercado, sem bonificação de taxa, principalmente em projetos ligados ao clima e à biodiversidade. Desde 2021, a França deixou de contabilizar os financiamentos na China como parte de sua ajuda pública ao desenvolvimento (APD). De acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Estado, a concessão de novos financiamentos da AFD na China vem sendo gradualmente suspensa.
Outras informações
3. O grupo AFD investe apenas no exterior?
Não. Os territórios franceses ultramarinos estão entre as missões atribuídas pela legislação ao grupo AFD, que atua como banco de desenvolvimento sustentável. O Grupo apoia os governos locais, as entidades públicas, as empresas e as instituições financeiras em seus investimentos em benefício dos cidadãos.
Em 2025, foram financiados 163 projetos em 12 territórios e departamentos ultramarinos, totalizando 1,7 bilhão de euros. Esse nível excepcional inclui, por exemplo, um empréstimo de 800 milhões de euros, garantido pelo Estado, destinado à Nova Caledônia.
Nesses territórios, o grupo AFD financia, em especial, habitação, serviços de saúde, água e saneamento, transportes, transição energética e adaptação às mudanças climáticas. Em 2025, 39% dos projetos ultramarinos financiados apresentavam um cobenefício climático.
O Grupo também promove a cooperação regional entre os territórios franceses e seus vizinhos, por exemplo, nas áreas da saúde, dos oceanos, da biodiversidade e da prevenção de desastres naturais.
4. De que forma se garante que o dinheiro realmente chega aos destinatários ?
É essencial garantir que o dinheiro investido chegue de fato aos beneficiários. Os fundos não são necessariamente transferidos para o orçamento geral do Estado: dependendo do projeto, o beneficiário pode ser um governo local, uma entidade pública, um banco, uma empresa ou uma organização da sociedade civil. O grupo AFD dispõe de um sistema de controle em múltiplos níveis para enfrentar os riscos de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo ou práticas anticoncorrenciais que poderiam comprometer suas atividades ou operações. Isso inclui três modalidades:
- Desenvolvimento de projetos em parceria com clientes e parceiros (ONGs, empresas, comunidades) para definir objetivos que realmente atendam às necessidades das populações.
- Gestão fiscal rigorosa com base em auditorias, controles financeiros e mecanismos anticorrupção em todos os projetos.
- Monitoramento operacional dos projetos com relatórios regularmente enviados por administrações e consultores especializados, além de missões de supervisão realizadas no local pelas nossas equipes. Avaliações independentes também são realizadas.
Os pagamentos podem ser realizados em várias etapas e condicionados ao andamento do projeto, à apresentação de comprovantes ou ao cumprimento de compromissos específicos.
Enquanto o projeto é realizado, as equipes da AFD monitoram tanto a parte técnica quanto a financeira. Podem ser realizadas auditorias, verificações documentais ou presenciais, bem como missões de supervisão. Os contratos financiados devem respeitar regras de licitação, concorrência e integridade.
A AFD implementa procedimentos de prevenção contra fraude, corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Em caso de irregularidade ou de descumprimento dos compromissos, um desembolso pode ser suspenso, medidas corretivas podem ser exigidas e, nos casos mais graves, o financiamento pode ser interrompido.
Um mecanismo de denúncia permite, além disso, que pessoas ou organizações que se considerem afetadas por um projeto possam sinalizar um problema.
5. O grupo AFD presta contas de suas atividades?
Sim. A AFD atua dentro de um sistema de governança e fiscalização que envolve o Estado, o Parlamento e diversas autoridades independentes.
O conselho de administração inclui, entre outros, representantes do Estado, personalidades qualificadas, representantes do pessoal e quatro parlamentares. Em 2025, foram realizadas 64 audiências e sessões com parlamentares, e os órgãos do grupo AFD se reuniram em 63 ocasiões.
A AFD também é fiscalizada pelo Tribunal de Contas, pelas inspeções gerais, pelos auditores e pela Autoridade de Controle Prudencial e de Resolução. A Comissão de Avaliação da Ajuda Pública ao Desenvolvimento, prevista pela lei de 2021 e composta por dez especialistas e quatro parlamentares, foi instalada em dezembro de 2025.
Cada projeto concluído passa por uma avaliação interna e cerca de metade dos projetos são analisados de forma mais aprofundada. O relatório de avaliações de 2025 abrange de forma detalhada 261 projetos avaliados nos anos de 2023 e 2024. Mais de 450 relatórios resumidos estão disponíveis em acesso livre e mais de 110 relatórios de avaliação de amplo alcance estão publicados no site afd.fr.
A partir de 2025, o monitoramento dos resultados do Grupo passou a ser organizado em torno de 22 indicadores comuns, disponíveis no Portal de Impactos. Para as operações concluídas em 2025, 4,8 milhões de pessoas se beneficiaram de serviços de educação, formação ou emprego criados ou significativamente aprimorados; 2,1 milhões tiveram melhor acesso a transportes sustentáveis; e 3,2 milhões receberam apoio que fortaleceu sua resiliência diante de crises e conflitos.
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